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O campeão da Copa do Mundo não leva a taça para casa

A Copa do Mundo existe há quase cem anos, e três coisas sobre ela quase ninguém sabe.

A Copa do Mundo existe há quase cem anos e virou o evento esportivo mais assistido do planeta. E mesmo assim, três coisas básicas sobre ela costumam pegar todo mundo de surpresa, inclusive quem acha que sabe tudo de futebol.

1. A Copa de 1950 não teve final

Todo mundo conhece o Maracanaço: 16 de julho de 1950, Brasil e Uruguai, quase duzentas mil pessoas no Maracanã, e o gol de Ghiggia que calou o estádio. O que quase ninguém percebe é que aquilo não era uma final.

A Copa de 1950 é a única da história em que o campeão não saiu de uma partida decisiva única. O formato previa um quadrangular final: Brasil, Uruguai, Suécia e Espanha jogavam todos contra todos, e quem somasse mais pontos levava a taça.

Aconteceu que a tabela colocou Brasil e Uruguai no último jogo do grupo, e a matemática fez o resto. O Brasil chegou com um ponto de vantagem e precisava apenas de um empate para ser campeão. Por acaso, o último jogo do quadrangular virou uma final de fato, com clima de final, público de final, e um resultado que o país nunca esqueceu. Mas, no regulamento, era só mais uma rodada.

2. A primeira final foi jogada com duas bolas diferentes

Montevidéu, 1930, primeira final de Copa da história: Uruguai contra Argentina. E aí surgiu um problema que hoje pareceria piada. Não havia bola oficial padronizada, e cada seleção queria jogar com a sua.

A discussão foi séria o bastante para ameaçar a partida. A solução, negociada na última hora, foi salomônica: cada tempo seria disputado com uma bola. O primeiro tempo com a bola escolhida pelos argentinos, o segundo com a dos uruguaios.

O que aconteceu em campo é quase bom demais para ser verdade. Com a bola argentina, a Argentina foi para o intervalo vencendo por 2 a 1. Trocou-se a bola, e o Uruguai virou o jogo para 4 a 2, ficando com o primeiro título mundial da história. Até hoje se brinca que a bola decidiu a Copa.

3. O campeão não leva a taça para casa

Aquela imagem do capitão erguendo o troféu dourado, com os dois gigantes segurando o globo, é uma das mais reproduzidas do esporte. E aquele troféu específico, o original, não vai embora com ninguém.

Desde a taça atual, criada em 1974, a FIFA mantém a posse do troféu original. O que o campeão recebe para levar, exibir e guardar é uma réplica banhada a ouro, oficialmente chamada de FIFA World Cup Winners' Trophy. A original volta para o cofre.

A regra não nasceu de mesquinharia, nasceu de trauma. A última taça que um país pôde guardar para sempre foi a Jules Rimet, entregue em definitivo ao Brasil pelo tricampeonato de 1970. Em dezembro de 1983, ela foi roubada da sede da CBF, no Rio de Janeiro, e nunca mais foi encontrada. Acredita-se que tenha sido derretida.

Depois de perder um troféu daqueles, a FIFA decidiu que ninguém mais levaria o original para casa. É por isso que o objeto mais cobiçado do futebol mundial passa a maior parte da vida trancado.

  • Tags: #copadomundo #futebol #curiosidades #historia #fatos
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Fontes