O Brasil é o país mais vitorioso da história da Copa do Mundo, com cinco títulos. A camisa amarela é provavelmente o uniforme esportivo mais reconhecível do planeta. E, mesmo assim, três histórias fundamentais da Seleção continuam pouco conhecidas, inclusive por torcedor fanático.
1. A camisa amarela nasceu de uma derrota
Até 1950, o Brasil jogava de branco, com detalhes em azul. Foi de branco que a Seleção entrou em campo no Maracanã contra o Uruguai, e foi de branco que ela saiu derrotada, no episódio que ficaria conhecido como Maracanaço.
O trauma foi tão profundo que o uniforme virou culpado. O branco passou a ser associado ao fracasso, à falta de patriotismo, à derrota. Em 1953, o jornal Correio da Manhã abriu um concurso público para desenhar um novo uniforme, com uma exigência: teria que usar as quatro cores da bandeira brasileira.
Chegaram milhares de propostas. Venceu o desenho de Aldyr Garcia Schlee, um rapaz de 19 anos de Pelotas, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. Camisa amarela, gola verde, calção azul, meias brancas. Quatro anos depois, em 1958, o Brasil venceria sua primeira Copa vestindo aquele desenho, e ele se tornaria um dos símbolos mais poderosos do país.
Há uma ironia dolorosa no final da história: Schlee, que morava na fronteira e tinha afeto pelo Uruguai, dizia torcer para o time vizinho. O criador da camisa amarela nunca se sentiu inteiramente confortável com o monumento que havia desenhado.
2. O Brasil é a única seleção presente em todas as Copas
De 1930, no Uruguai, até hoje, o Brasil disputou absolutamente todas as edições da Copa do Mundo. Nenhuma outra seleção pode dizer o mesmo.
Alemanha e Itália, potências históricas, ficaram de fora em alguma edição. A Argentina não foi a algumas. A Inglaterra, que inventou o esporte, sequer participou das três primeiras Copas por atrito com a FIFA. O Brasil, não. Sempre esteve lá.
É um recorde que costuma ser lido como sinal de força constante, e é. Mas é também um recorde frágil por natureza: basta um tropeço em eliminatórias, uma única vez em quase cem anos, para que ele acabe para sempre.
3. O Brasil ganhou uma taça para sempre, e a perdeu
A regra da Jules Rimet era clara: o primeiro país a conquistar três Copas ficaria com o troféu em definitivo. Em 1970, no México, com o time que muita gente considera o melhor de todos os tempos, o Brasil venceu sua terceira e levou a taça para casa em caráter permanente.
Ela ficou exposta na sede da CBF, no Rio de Janeiro, dentro de uma vitrine com frente de vidro à prova de balas. O detalhe que decidiria tudo é que o fundo da vitrine era de madeira.
Na noite de 19 de dezembro de 1983, ladrões entraram no prédio, renderam o vigia, ignoraram o vidro blindado e simplesmente arrombaram a parte de trás do armário. Levaram a taça e sumiram.
Ela nunca foi recuperada. A hipótese que se consolidou é que o ouro foi derretido e vendido, apagando para sempre um dos objetos mais simbólicos do esporte. Vale a precisão: o roubo é fato documentado, o derretimento é a suspeita mais aceita, nunca confirmada.
O Brasil ganhou uma taça para a eternidade e a manteve por treze anos.
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