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Grande Pirâmide: o cômodo que ninguém nunca abriu

Existe um cômodo do tamanho de um avião dentro da Grande Pirâmide de Gizé, e nenhum ser humano jamais entrou nele. Ele foi encontrado em 2017, e não foi encontrado cavando: foi encontrado com partículas que vêm do espaço.

Existe um cômodo do tamanho de um avião comercial escondido dentro da Grande Pirâmide de Gizé, e nenhum ser humano jamais entrou nele. Ele foi encontrado em 2017, e não foi encontrado cavando: foi encontrado com partículas que vêm do espaço.

Essa é só uma das três descobertas dos últimos dez anos que mudaram o que sabíamos sobre monumentos milenares. Assista ao vídeo completo, com as três histórias:

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A gente aprende sobre esses monumentos na escola como se fossem assunto encerrado, pedras antigas já estudadas até o fim. Não são. Nos últimos dez anos, a Grande Pirâmide, Stonehenge e os moais da Ilha de Páscoa revelaram segredos que os livros não contavam, e em todos os três casos a descoberta veio de uma tecnologia que os arqueólogos não tinham antes.

O Grande Vazio da Grande Pirâmide

A Grande Pirâmide foi construída há cerca de 4.500 anos, para o faraó Quéops: cerca de 2 milhões e 300 mil blocos de pedra, empilhados até 146 metros de altura, a construção mais alta feita por seres humanos durante quase 4 mil anos. Por dentro, sempre se soube de apenas três espaços: a câmara do rei, a câmara da rainha e a Grande Galeria.

Em 2015, o projeto internacional ScanPyramids começou a tentar enxergar dentro da pirâmide sem tocar em uma única pedra, usando múons: partículas subatômicas que chovem sobre a Terra o tempo todo, vindas de colisões de raios cósmicos na atmosfera, e que atravessam pedra de um jeito previsível. Quanto mais rocha um múon cruza, maior a chance de ser absorvido — então contar quantos chegam de cada direção permite mapear onde há menos pedra do que deveria haver, ou seja, onde há um vazio.

Em novembro de 2017, a revista Nature publicou o resultado: acima da Grande Galeria havia um espaço vazio de pelo menos 30 metros de comprimento — o tamanho de um avião comercial de corredor único — escondido no monumento mais estudado da história. Ninguém sabia que estava ali. Ele ficou conhecido como o Grande Vazio, e até hoje ninguém entrou nele: não existe porta nem corredor conhecido que leve até lá.

O que é fato e o que é hipótese: ninguém sabe o que o Grande Vazio é. A explicação mais aceita pelos egiptólogos é estrutural — um espaço para aliviar o peso da pedra acima das câmaras, técnica que os egípcios comprovadamente usavam em outros pontos da pirâmide. Não há tesouro anunciado, não há múmia, não há confirmação de câmara intocada. Existe um vazio de 30 metros que a física encontrou e que a arqueologia ainda não explicou.

A pedra de Stonehenge que veio da Escócia

Stonehenge foi erguido em etapas entre aproximadamente 3000 e 2500 a.C. As pedras grandes, os sarsens, vieram de uns 25 quilômetros dali; as bluestones menores vieram das colinas de Preseli, no País de Gales, a uns 250 quilômetros — já um enigma logístico e tanto para a Idade da Pedra, sem roda e sem animais de carga.

No meio do círculo, meio escondida sob outras pedras caídas, existe uma laje de 6 toneladas chamada Pedra do Altar. Durante um século, presumiu-se que ela também era galesa. Em agosto de 2024, uma equipe da Universidade Curtin publicou na Nature a análise da idade de grãos microscópicos de zircão, apatita e rutilo dentro da pedra — uma espécie de impressão digital geológica — e ela não batia com o País de Gales. Batia com a Bacia Orcadiana, no extremo nordeste da Escócia, a pelo menos 750 quilômetros de distância.

Há 5 mil anos, sem roda útil nem cavalo domesticado na Grã-Bretanha, alguém levou uma laje de 6 toneladas do norte da Escócia até o sul da Inglaterra — provavelmente por mar, contornando a costa. Isso sugere que a Grã-Bretanha neolítica tinha redes de contato e navegação atravessando a ilha inteira, muito antes de existir qualquer nação.

O que é fato e o que é hipótese: a origem da pedra (Bacia Orcadiana) está estabelecida por evidência geológica. A pedreira exata de onde ela foi extraída ainda não foi localizada — a região é grande, e o que se sabe é a origem, não o endereço.

Os moais têm corpo

A imagem que o mundo tem da Ilha de Páscoa é de cabeças de pedra plantadas na grama. Elas não são cabeças: têm corpo. Na pedreira de Rano Raraku, onde estão os moais mais fotografados, as estátuas estão enterradas até o pescoço. Escavações do Easter Island Statue Project, a partir de 2010, expuseram torsos completos vários metros abaixo do solo, com braços, mãos e gravuras nas costas — algumas interpretadas como canoas, com vestígios de pigmento vermelho.

Elas não foram enterradas de propósito na maioria dos casos: foram engolidas, aos poucos, por séculos de sedimento descendo a encosta. São cerca de 900 moais na ilha; o maior já erguido tem quase 10 metros e mais de 80 toneladas, e dentro da pedreira ainda existe um gigante inacabado de 21 metros, que jamais chegou a ser solto da rocha.

O que é fato e o que é hipótese: como os moais se moviam da pedreira até seus lugares finais segue em aberto. Em 2012, uma equipe conseguiu fazer uma réplica de 5 toneladas "caminhar" balançando-a com cordas — e a tradição oral da ilha sempre falou em estátuas que caminharam. Outros arqueólogos defendem que foram deitadas e arrastadas sobre madeira. As duas hipóteses têm evidência a favor.

O fio que liga as três

A pirâmide guardou um vazio de 30 metros por 4.500 anos, e ele só apareceu quando alguém apontou física de partículas para a pedra. Stonehenge escondeu a origem da sua pedra central por um século de arqueologia, até alguém medir a idade de cristais microscópicos. Os moais só mostraram o corpo quando alguém, finalmente, cavou.

Nenhum desses monumentos estava esperando por uma pá maior — estavam esperando por uma ferramenta que ainda não existia. É por isso que o mais interessante não é o que essas pedras já contaram, e sim que é bem provável que a próxima descoberta grande sobre elas venha de um instrumento que ainda nem foi inventado.

  • Tags: #curiosidades #ciencia #historia #arqueologia #documentario
  • Fonte: vídeo “Grande Pirâmide: o cômodo que ninguém nunca abriu” produzido pelo canal