O oceano cobre cerca de 70% da superfície do planeta e concentra a quase totalidade do espaço habitável dele. E, ainda assim, é o lugar sobre o qual menos sabemos. Temos mapas mais detalhados da superfície da Lua e de Marte do que do fundo do nosso próprio mar.
1. Mais de 80% do oceano nunca foi explorado
A estimativa é da NOAA, a agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos: mais de 80% do oceano permanece não mapeado, não observado e não explorado. Não é força de expressão. A maior parte do fundo do mar nunca foi vista por olho humano nem por câmera.
O motivo é simples e brutal: pressão. A cada dez metros de profundidade, soma-se uma atmosfera. Nas partes mais fundas, a pressão passa de mil vezes a que sentimos aqui em cima, o suficiente para amassar um submarino comum como se fosse uma lata de refrigerante. Explorar o fundo do mar é, em muitos aspectos, mais difícil do que ir ao espaço.
2. O Everest cabe inteiro dentro da Fossa das Marianas
A Fossa das Marianas, no Pacífico ocidental, chega a cerca de 10.935 metros de profundidade no ponto conhecido como Abismo Challenger. O Monte Everest tem 8.849 metros do nível do mar ao cume.
A conta é a que você já fez de cabeça: se você pegasse o Everest inteiro, do sopé ao topo, e o jogasse dentro da fossa, o cume ficaria submerso a mais de dois quilômetros da superfície. Você poderia navegar tranquilamente por cima da montanha mais alta do mundo sem nunca perceber que ela está ali embaixo.
Lá no fundo, na escuridão total e sob uma pressão esmagadora, ainda existe vida. Foram encontrados anfípodes, pepinos-do-mar e comunidades microbianas. E, infelizmente, também foi encontrado plástico.
3. O oceano produz boa parte do oxigênio que você respira
Quando pensamos em oxigênio, pensamos em floresta. Mas a maior parte da fotossíntese do planeta não acontece na Amazônia, e sim na água. O responsável é o fitoplâncton: organismos microscópicos que flutuam na camada iluminada pelo sol e fazem fotossíntese em uma escala difícil de imaginar.
As estimativas variam bastante, e vale a honestidade aqui: a NOAA fala em pelo menos 50% do oxigênio atmosférico vindo do oceano, e os números mais altos chegam a 80%. A margem é larga porque medir a produção líquida de oxigênio do planeta inteiro é genuinamente difícil. Mas o ponto sobrevive a qualquer estimativa: uma parcela enorme do ar que entra nos seus pulmões agora foi fabricada por seres invisíveis boiando no mar.
O maior mistério é o mais próximo
Gastamos bilhões olhando para fora, procurando vida em luas de Júpiter e em planetas a anos-luz daqui. Enquanto isso, quatro quintos do maior ecossistema do nosso próprio planeta continuam inexplorados, produzindo o ar que respiramos e guardando espécies que ainda não têm nome.
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- Música: (video antigo, BGM aleatoria da biblioteca original)
Fontes